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Em janeiro de 2017 entra em vigor um novo Programa Nacional de Vacinação – PNV 2017. Sublinhando a importância da vacinação ao longo do ciclo de vida, a atualização do PNV consiste em novos esquemas vacinais gerais, em função da idade e do estado vacinal anterior e ainda esquemas vacinais específicos para grupos de risco ou em circunstâncias especiais.

Entre as principais alterações a assinalar:

  • Aos 2 e aos 6 meses de idade a vacina contra hepatite B, a vacina contra a doença invasiva por Haemophilus influenzae, a vacina contra a difteria, tétano e tosse convulsa e a vacina contra a poliomielite, são administradas com uma vacina hexavalente; 
  • Aos 5 anos de idade faz-se a segunda dose de vacina combinada contra o sarampo, parotidite epidémica e rubéola;  
  • Aos 10 anos de idade, as raparigas fazem a primeira dose de Hpv9 (vacina contra infeções por vírus do Papiloma humano de 9 genótipos); 
  • As mulheres grávidas, entre as 20 e as 36 semanas de gestação, são vacinadas contra a tosse convulsa com a vacina contra o tétano, difteria e tosse convulsa;
  • Os reforços da vacina contra o tétano e difteria em adolescentes e adultos, ao longo da vida, são alterados: a primeira dose aos 10 anos de idade, continuação com reforços aos 25, 45, 65 anos de idade, e posteriormente, de 10 em 10 anos.  
  • Às pessoas com risco acrescido para determinadas doenças, recomendam-se ainda as vacinas: contra tuberculose, infeções por Streptococus pneumoniae e doença invasiva por Neisseria meningitidis.

Para saber mais consulte a Norma nº 016/2016 de 16/12/2016 – Programa Nacional de Vacinação – PNV 2017

directores dos hospitais do algarve desistem de esperar e demitem-se

A “falta de uma orientação estratégica visível e motivadora” por parte da administração do Centro Hospitalar do Algarve (CHA) levou à demissão da adjunta do director clínico, Ana Lopes, e de três directores de departamento desta unidade de saúde, que aprovou agora o seu regulamento interno. Um regulamento que tem suscitado alguma polémica.

Esta tomada de decisão ocorre dois meses depois de Ana Lopes e dos directores dos departamentos de Emergência, Urgência, Cuidados Intensivos, Cirurgia e Medicina terem apresentado a demissão — uma decisão que foi, já em Janeiro, travada pelo ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, depois de uma reunião em Lisboa na qual aqueles responsáveis aceitaram suspender o abandono dos cargos.

Agora, as demissões foram formalizadas através de uma curta carta dirigida ao presidente do conselho de administração do CHA, Joaquim Ramalho. Desde o dia 13 de Fevereiro que aqueles profissionais deixaram de assumir responsabilidades a nível da direcção dos departamentos do centro hospitalar.

Ana Lopes, adjunta do director clínico, diz que “nada se alterou”, desde a reunião que tiveram, já em Janeiro, com o ministro da Saúde, em relação ao CHA, que integra os hospitais de Faro, Portimão e Lagos e Serviços de Urgência Básica de Loulé, Albufeira e Vila Real de Santo António. “Já não há motivos para continuarmos a assumir as funções que ocupávamos. Desde há cinco anos que não há investimento na compra de equipamentos no Centro Hospitalar do Algarve, que continua a apresentar maus resultados, quer assistenciais, quer do ponto de vista do tempo de espera”, afirmou Ana Lopes ao PÚBLICO, queixando-se de uma “total falta de estratégia” por parte da administração do centro hospitalar.

PSD quer esclarecimentos

Um outro médico sintetiza nesta frase as razões para esta decisão: “Esta tomada de posição culmina uma prolongada reflexão sobre a situação hospitalar e sobre as condições de desempenho das funções. Temos vindo a assistir a uma contínua desmotivação dos profissionais, face à ausência de estratégia e de medidas concretas que revertam a degradação funcional da instituição”.

Atendo ao que se passa no centro hospitalar, o deputado do PSD Cristóvão Norte, que integra a comissão parlamentar de Saúde, adiantou ao PÚBLICO que apresentou um requerimento a pedir esclarecimentos ao ministro da Saúde Adalberto Campos Fernandes para saber “o que é que ficou acertado com os médicos que se demitiram e o que não foi cumprido”.

Cristóvão Norte, que acompanha há muito tempo o CHA, vai também pedir explicações sobre o novo regulamento interno, que está envolto em polémica por prever a criação de subdirectores clínicos, e que diz ter sido “aprovado sem diálogo”.

“O Centro Hospitalar do Algarve está sem orientação, sem rumo, num claro divórcio entre o corpo clínico e a administração, perante a demissão do Ministério da Saúde em resolver a situação”, denuncia o deputado, que reitera a “falta de recursos humanos — um problema estrutural, a que se soma a desorganização dos serviços que se agrava, o que degenera na decadência da prestação de cuidados, tal como afirmam os médicos e provam os dados”.

Em declarações ao PÚBLICO, o ministro da Saúde refere que o regulamento interno aprovado “vai ao encontro daquilo que é a leitura técnica da necessidade do Algarve, mas também da expectativa da população e dos próprios profissionais”. Já sobre o facto de o mesmo prever a criação de subdirectores clínicos, que alguns profissionais argumentam não terem cobertura legal, nem na nova nem na antiga legislação dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde, o ministro desvaloriza a polémica, revelando que “acontece noutros hospitais”. “Isso é uma prática que acontece em outras áreas, em outras instituições”, sublinha.


Já depois destas declarações, o PÚBLICO soube das demissões no departamento do CHA e voltou a contactar o Ministério da Saúde para saber como reagia a esta notícia. Sem sucesso. 

Numa nota enviada ao PÚBLICO, o presidente do conselho de administração, Joaquim Ramalho, esclarece que o “Centro Hospitalar do Algarve está, após a homologação do regulamento interno, a proceder à reorganização da sua estrutura interna e, é nesse quadro, que se procederá à reconstituição da equipa de dirigentes intermédios, designadamente a substituição dos dirigentes que apresentaram recentemente a sua demissão”.

“Quanto à matéria da ‘legalidade’ do regulamento interno, informamos que a nova legislação de gestão dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde foi publicada [a 10 de Fevereiro] após a homologação do regulamento interno do CHA. Contudo, a própria legislação prevê um prazo de revisão, sendo certo que tais desajustamentos não têm qualquer impacto no funcionamento da estrutura orgânica agora aprovada”, acrescenta a administração.


quantos portugueses não têm médico de família? 769.537

O número de utentes sem médico de família era, no final de 2016, de 769.537, tendo pela primeira vez sido abaixo de um milhão, segundo dados da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS).

De acordo com os dados da actividade assistencial, em 2016 “atingiu-se o número mais elevado de sempre de cobertura da população com médico de família (92,1%)”.

Nessa data, existiam 769.537 utentes sem médico de família, “o que representa um ganho de 26,6% no número de utentes que passaram a ter médico de família atribuído em relação ao ano de 2015″.

A nota da ACSS refere que, no ano passado, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) realizou mais de 31 milhões de consultas médicas nas unidades de cuidados de saúde primários, o que representa um crescimento de 1,8% em relação ao ano anterior.


“Este crescimento foi registado ao nível das consultas presenciais (0,3%), das consultas não presenciais (6,8%), tendo-se também estendido aos domicílios médicos (0,8%)”, lê-se no mesmo comunicado.

Segundo a ACSS, “estes ganhos de cobertura e de actividade assistencial resultam, não só, do aumento do número de médicos nos cuidados de saúde primários (no final de 2016 eram 5673 os médicos com utentes atribuídos), como também da entrada em actividade de 30 novas Unidades de Saúde Familiar (USF) modelo A e 25 novas USF modelo B.

No total, existiam 479 USF em actividade a 31 de Dezembro de 2016, as quais abrangiam 5.894.408 utentes, o que corresponde a 55,8% dos utentes inscritos nos cuidados de saúde primários (mais sete por cento do que em 2015). 


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Em janeiro de 2017 entra em vigor um novo Programa Nacional de Vacinação – PNV 2017. Sublinhando a importância da vacinação ao longo do ciclo de vida, a atualização do PNV consiste em novos esquemas vacinais gerais, em função da idade e do estado vacinal anterior e ainda esquemas vacinais específicos para grupos de risco ou em circunstâncias especiais.

Entre as principais alterações a assinalar:

  • Aos 2 e aos 6 meses de idade a vacina contra hepatite B, a vacina contra a doença invasiva por Haemophilus influenzae, a vacina contra a difteria, tétano e tosse convulsa e a vacina contra a poliomielite, são administradas com uma vacina hexavalente; 
  • Aos 5 anos de idade faz-se a segunda dose de vacina combinada contra o sarampo, parotidite epidémica e rubéola;  
  • Aos 10 anos de idade, as raparigas fazem a primeira dose de Hpv9 (vacina contra infeções por vírus do Papiloma humano de 9 genótipos); 
  • As mulheres grávidas, entre as 20 e as 36 semanas de gestação, são vacinadas contra a tosse convulsa com a vacina contra o tétano, difteria e tosse convulsa;
  • Os reforços da vacina contra o tétano e difteria em adolescentes e adultos, ao longo da vida, são alterados: a primeira dose aos 10 anos de idade, continuação com reforços aos 25, 45, 65 anos de idade, e posteriormente, de 10 em 10 anos.  
  • Às pessoas com risco acrescido para determinadas doenças, recomendam-se ainda as vacinas: contra tuberculose, infeções por Streptococus pneumoniae e doença invasiva por Neisseria meningitidis.

Para saber mais consulte a Norma nº 016/2016 de 16/12/2016 – Programa Nacional de Vacinação – PNV 2017

novas receitas de alimentação saudável

Depois do enorme sucesso da edição anterior, o Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da Direção-Geral da Saúde  lança uma nova temporada de receitas saudáveis, simples e práticas, realizadas em conjunto com a a Faculdade de Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto. 

Encontra-se já disponível a primeira receita, “Bolinhos de bacalhau e grão-de-bico”, uma ótima sugestão para uma refeição de sabor bem português, equilibrada, saborosa, muito fácil de fazer e que pode levar consigo para todo o lado. http://bit.ly/bolinhos-de-bacalhau

depois do enorme sucesso da edição anterior, o programa nacional para a promoção da alimentação saud

Depois do enorme sucesso da edição anterior, o Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da Direção-Geral da Saúde  lança uma nova temporada de receitas saudáveis, simples e práticas, realizadas em conjunto com a a Faculdade de Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto. 

Encontra-se já disponível a primeira receita, “Bolinhos de bacalhau e grão-de-bico”, uma ótima sugestão para uma refeição de sabor bem português, equilibrada, saborosa, muito fácil de fazer e que pode levar consigo para todo o lado. http://bit.ly/bolinhos-de-bacalhau

número de portugueses sem médico de família baixou para cerca de 770 mil

O número de utentes sem médico de família era, no final de 2016, de 769.537. O que significa que, pela primeira vez, se ficou abaixo do patamar de um milhão de portugueses nessa situação, segundo dados da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS).

De acordo com os dados da actividade assistencial, divulgados nesta segunda-feira, em 2016 “atingiu-se o número mais elevado de sempre de cobertura da população com médico de família (92,1%)”.

Nessa data, existiam 769.537 utentes sem médico de família, “o que representa um ganho de 26,6% no número de utentes que passaram a ter médico de família atribuído em relação ao ano de 2015″.

A nota da ACSS refere que, no ano passado, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) realizou mais de 31 milhões de consultas médicas nas unidades de cuidados de saúde primários, o que representa um crescimento de 1,8% em relação ao ano anterior.

“Este crescimento foi registado ao nível das consultas presenciais (0,3%), das consultas não presenciais (6,8%), tendo-se também estendido aos domicílios médicos (0,8%)”, lê-se no mesmo comunicado.


Segundo a ACSS, “estes ganhos de cobertura e de actividade assistencial resultam, não só, do aumento do número de médicos nos cuidados de saúde primários (no final de 2016 eram 5.673 os médicos com utentes atribuídos), como também da entrada em actividade de 30 novas Unidades de Saúde Familiar (USF) modelo A e 25 novas USF modelo B.

No total, existiam 479 USF em actividade a 31 de Dezembro de 2016, as quais abrangiam 5.894.408 utentes, o que corresponde a 55,8% dos utentes inscritos nos cuidados de saúde primários (mais sete por cento do que em 2015).

 


número de portugueses sem médico de família baixou para cerca de 770 mil

O número de utentes sem médico de família era, no final de 2016, de 769.537. O que significa que, pela primeira vez, se ficou abaixo do patamar de um milhão de portugueses nessa situação, segundo dados da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS).

De acordo com os dados da actividade assistencial, divulgados nesta segunda-feira, em 2016 “atingiu-se o número mais elevado de sempre de cobertura da população com médico de família (92,1%)”.

Nessa data, existiam 769.537 utentes sem médico de família, “o que representa um ganho de 26,6% no número de utentes que passaram a ter médico de família atribuído em relação ao ano de 2015″.

A nota da ACSS refere que, no ano passado, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) realizou mais de 31 milhões de consultas médicas nas unidades de cuidados de saúde primários, o que representa um crescimento de 1,8% em relação ao ano anterior.

“Este crescimento foi registado ao nível das consultas presenciais (0,3%), das consultas não presenciais (6,8%), tendo-se também estendido aos domicílios médicos (0,8%)”, lê-se no mesmo comunicado.


Segundo a ACSS, “estes ganhos de cobertura e de actividade assistencial resultam, não só, do aumento do número de médicos nos cuidados de saúde primários (no final de 2016 eram 5.673 os médicos com utentes atribuídos), como também da entrada em actividade de 30 novas Unidades de Saúde Familiar (USF) modelo A e 25 novas USF modelo B.

No total, existiam 479 USF em actividade a 31 de Dezembro de 2016, as quais abrangiam 5.894.408 utentes, o que corresponde a 55,8% dos utentes inscritos nos cuidados de saúde primários (mais sete por cento do que em 2015).

 


sindicatos e ordem contra mais 10 meses para dispensa de médicos das urgências

As estruturas sindicais médicas reagiram com “estupefacção” à notícia de que o ministro da Saúde está a estudar a hipótese de aumentar em 10 meses a idade de dispensa de trabalho nos serviços de urgência públicos. Em comunicado conjunto divulgada nesta segunda-feira, o Sindicato Independente dos Médicos e a Federação Nacional dos Médicos avisaram que “esta é uma matéria que não é passível de entendimento e que, em caso de imposição”, desencadeará “a mais resoluta e gravosa resposta”.

É a reacção ao anúncio efectuado sexta-feira por Adalberto Campos Fernandes na Comissão Parlamentar de Saúde. O governante admitiu que esta hipótese está a ser ponderada, tendo em conta o aumento da esperança de vida em Portugal.

O Conselho Nacional da Ordem dos Médicos considerou entretanto “lamentável” que se apresente esta “solução” para “resolver as insuficiências e deficiências” dos serviços de urgência e sublinhou que as questões de “índole estritamente laboral devem ser negociadas” com os sindicatos.

Deixam urgência após os 50 anos

Actualmente, os médicos podem optar por não trabalhar à noite nos serviços de urgência a partir dos 50 anos e depois dos 55 podem mesmo pedir dispensa total do trabalho nas urgências. Estas regras estão instituídas desde 1979, mas, se os médicos assim o entenderem, podem continuar a fazer “bancos”, como se diz na gíria hospitalar, após os 55 anos.

A hipótese de acrescentar 10 meses aos actuais limites etários para o trabalho nas urgências terá mesmo sido debatida com o anterior bastonário da Ordem dos Médicos, segundo adiantou o ministro no Parlamento. No comunicado, a ordem assegura, porém, que a sua direcção não debateu esta matéria como o ministro da Saúde.

Ao PÚBLICO, o gabinete do ministro respondeu que se trata de “matéria objecto de negociação sindical e que nesse sentido nada será feito sem serem ouvidas as estruturas representativas dos profissionais médicos, como aliás foi referido pelo ministro na audição parlamentar.”


Os médicos, sublinha o conselho executivo da ordem, “não podem continuar a ser os ´bodes expiatórios´ das insuficiências do sistema e, no caso particular do serviço de urgência, não devem ser sobrecarregados com mais tempo numa tarefa de elevado risco e responsabilidade associada a um desgaste físico e psicológico intenso”. Lembrando que o exercício de funções em serviço de urgência leva “a valores muito elevados das várias manifestações de burnout“, considera mesmo essencial que esta seja considerada uma “profissão de risco e desgaste rápido”.

Notanto que esta é “uma matéria do mais estrito âmbito sindical”, os dirigentes das duas estruturas sindicais consideram, pelo seu lado, que, a terem acontecido, as conversas com o ex-bastonário sobre esta matéria podem “configurar uma grave violação das competências legais das organizações sindicais, num aparente ensaio de fretes de bastidores”. E notam, desde logo, que estão contra, independentemente de eventual tentativa de negociação sindical.

Lamentam ainda que o ministro, sendo médico, “queira associar à penosidade e ao risco associados à prestação de trabalho em serviço de urgência o aumento da esperança de vida” que tem “acarretado uma ainda maior penosidade e responsabilidade do trabalho dos médicos”, que são diariamente confrontados nos serviços de urgência “com as solicitações de doentes mais envelhecidos e com patologia múltipla”.


as pessoas "não querem que sejam os médicos, os políticos" a dizerem-lhes o que têm que fazer

O comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas, afirmou esta segunda-feira, na abertura de uma conferência na Universidade de Lisboa, que a Europa tem que dar resposta a um novo espírito entre as pessoas, que “não querem que sejam os médicos, os políticos” a dizerem-lhes o que têm que fazer. As pessoas “querem informação, e depois, com base nessa informação, tomar decisões”, nomeadamente no sector da saúde. “Isso é uma mudança a que temos de estar atentos: criar maneiras de as pessoas terem confiança nessa informação”, para que possam tomar decisões certas.

Carlos Moedas afirmou que, ao contrário do que acontecia há 20 ou 30 anos, em que as pessoas iam ao médico para que este “lhes dissesse o que fazer”, hoje os pacientes confrontam os médicos com conhecimentos que os próprios clínicos não têm porque têm muitos doentes para acompanhar.

O papel da ciência, especialmente na compilação e análise de dados, é aprofundar a tecnologia que hoje permite às máquinas ler, interpretar informação e ajudar os médicos no diagnóstico, defendeu, citando o exemplo de “certos computadores que conseguem observar uma radiografia e detectar um cancro mais facilmente do que uma pessoa, que tem um olho humano”, sujeito a falhas. Da parte dos médicos, a reacção a este tipo de inovação científica é dizer: “Extraordinário! Posso concentrar-me em outras partes da minha profissão”, afirmou. “Acho que o princípio político que temos que ter para o futuro, em relação à inteligência artificial, é que as máquinas devem estar presentes, não para nos substituir, mas para nos ajudar a sermos melhores”, sustentou.

O responsável europeu abriu os painéis de discussão em torno do consórcio Lisbon Living +, um consórcio criado pela Universidade de Lisboa dedicado à inovação em saúde e envelhecimento composto por académicos, autarcas, responsáveis da área social e associações de doentes. Na sua opinião, a vontade das instituições europeias é “favorecer esta cultura” de se juntarem várias disciplinas, e para isso se está a construir uma “cloud” de armazenamento virtual de informação para que os “quase 1,7 milhões de cientistas europeus possam arquivar todos os seus artigos, mas que possam também ter serviços de análise” de dados garantidos por máquinas capazes de deep learning, ou seja, de ler e interpretar dados.


Da parte da União Europeia — com a qual Carlos Moedas considera que os cidadãos perderam “a ligação directa, porque há demasiados intermediários que ficam com o crédito” — há trabalho feito a dar aos cidadãos mais informação para que tomem as decisões mais acertadas, como a divulgação dos malefícios do abuso de antibióticos. “Foi obra da União Europeia, desde o ano 2000, conseguir pôr todos os hospitais da Europa a enviar dados sobre a utilização dos antibióticos”, indicou.

“Os problemas não têm fronteiras, há agora esta loucura do populismo e do extremismo, de fechar fronteiras”, mas os maiores problemas, como a saúde, o clima ou a segurança, são globais, considerou.